Debulhar em lágrimas para regar as flores



Agora que a ferida do nosso amor finalmente cicatrizou em meu peito, consigo olhar para trás e tentar tirar uma lição de tudo aquilo que a gente viveu. Principalmente do período que segui sozinho. Dos tropeços, das lágrimas que derramei, do pranto que eu mesmo sequei e de como foi difícil para mim suturar aquelas partes que ficaram rasgadas para que tudo que ainda existia de você em mim pudesse sair.

O amor não tem a menor obrigação de suprir as minhas necessidades. Não é obrigação do amor cumprir as minhas expectativas. A função de qualquer sentimento é simples, singela e muito direta – despertar as nossas emoções. É só para isso que o amor serve. A obrigação dele é nos fazer sentir. Ainda que falte sentido, ainda que nem tudo seja como nos nossos sonhos ou dentro dos nossos padrões de normalidade.

Mas com isso, não quero dizer, de maneira alguma, que eu preciso, de agora em diante, aceitar qualquer coisa e entender que não posso ter tudo do meu jeito. É diferente. Eu via em você alguém que tinha todas as qualidades necessárias para me fazer feliz, mas eu esqueci que, talvez, te faltasse a principal delas – a vontade. Você não se esforçava sequer o mínimo para me ver sorrir ou para que as minhas noites de sono fossem mais tranquilas. Era sempre eu que precisava ir ao teu encontro. Você? Seria sempre o norte que eu precisava buscar.

Acontece, ex-amor, que eu nunca lidei muito bem com as ordens, com as obrigações, e nunca aceitei que ninguém além do meu próprio nariz em pé mandasse nas minhas escolhas. Entendi isso logo cedo, quando me reconheci como a única pessoa responsável pela minha felicidade. Acho que os nossos problemas começaram aí. Você queria brincar de mandar, mas eu, só de birra e pirraça, nunca soube obedecer. O amor não é o servo. É o senhor.

Agora, depois que redecorei os espaços do meu coração, dei uma nova cor, mais leveza e abri as janelas para entrar um ar novo que levasse embora o cheiro do teu perfume, percebo que a tua missão na minha história foi me aproximar mais de mim mesmo. Obrigado por isso. Precisei, durante um certo tempo, me debulhar em lágrimas para regar e florescer as minhas sementes. Hoje sou feito girassol – não posso ver uma fresta de felicidade, que sigo na direção.


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